A Comunidade de Jesus

O lugar era Cesaréia de Filipe. Uma região repleta de altares a deuses pagãos. Conhecida como o berço de nascimento do deus Pan, deus da fertilidade e sede do monumental templo ao Imperador, que estabelecera para si mesmo um culto para reconhecimento de sua pretensa divindade. Nessa vitrine de altares pagãos, um Mestre conversa com seus pupilos.

- O que estão dizendo a meu respeito por aí? Perguntou Jesus.

- Estão te comparando com os profetas...o Senhor sabe: Isaias, Jeremias, João Batista… - responderam os discípulos.

- E vocês, o que acham? Perguntou novamente o Mestre.

Pedro dá um passo a frente e diz: Você é o Ungido, o Filho do Deus vivo.

Essa foi a conversa que inaugurou a Igreja. Logo após essa declaração Jesus estabelece a sua Comunidade, determinando que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.

Não houve reunião inaugural, nem assembléia pra constituir estatuto e definir diretoria. Simplesmente uma declaração, ou nas palavras de Jesus, uma revelação.

Mas o que havia de tão especial na declaração de Pedro? Que Jesus era o Messias prometido pelos profetas? Sim, essa declaração era poderosa. Em Jesus convergia toda a expectativa profética de um Rei que pudesse libertar Israel, que embora não mais em exílio, continuava em uma espécie de cativeiro espiritual, moral, político e social, como colônia do Império Romano. Todo o Israel esperava o Messias, inclusive Pedro. E ao identificá-lo como Messias, Pedro estava declarando que sua expectativa como Judeu havia sido finalmente satisfeita em Jesus. No entanto, há algo mais contundente na declaração de Pedro. Tu és o Filho do Deus vivo. Em outras palavras, Pedro está reconhecendo Deus no homem Jesus. O mistério da encarnação é explicitado de forma esplendorosa nessa simples declaração. Em meio aos deuses dos pagãos, Pedro afirma a supremacia de Cristo como único e legítimo Deus. É exatamente essa declaração que lança os fundamentos da Igreja de Cristo.

Igreja, (ecclesia, no grego), não foi um termo inventado por Jesus. Os gregos já o utilizavam para designarem a espécie de ajuntamento solene, uma assembléia por assim dizer, para qual os cidadãos livres eram chamados para discutir idéias. “Chamados para fora” é a melhor tradução da palavra grega. Ao utilizar o termo para identificar seu povo, Jesus o está definindo como o povo que se ajunta em torno do Filho de Deus, reconhecendo sua supremacia em meio a todas as falsas alternativas pagãs. É assim que nasce a Igreja. Nasce da sua compreensão da verdadeira identidade de Jesus Cristo e conseqüentemente de sua relação com ele. A “Comunidade de Jesus”, a Igreja triunfante diante da qual o inferno não pode prevalecer é aquela que se põe diante dos altares dos pretensos “deuses” do mundo e declara em alta voz: Jesus é o Filho do Deus vivo.

É fato inquestionável que as igrejas Cristãs crescem de forma acelerada em nosso país. Pessoas chegam aos montes para se filiarem às inúmeras igrejas das mais diversas denominações. No entanto, é também um fato infelizmente inquestionável, que nem sempre os que se reúnem em igrejas, reúnem-se em torno do Filho de Deus. Muitos se reúnem em torno de promessas, de sonhos, de ideologias, ou mesmo em torno de suas próprias ambições pessoais, utilizando o evangelho (e a igreja) como mais um meio para a obtenção de seus desejos. Quando isso acontece, têm-se a “alternativa evangélica”, onde Cristo torna-se mais um dos muitos “deuses” adorados nos mais diversos “altares” das colinas de nosso Brasil.

A Igreja de Cristo carece de uma afirmação de sua identidade. Quem somos primariamente? A comunidade dos que se reúnem aos domingos? Dos que carregam a Bíblia debaixo do braço? Dos que cantam lindas canções? Dos que reúnem multidões em eventos de grande porte? Dos que apregoam valores morais? A comunidade que cresce assustadoramente e ganha cada vez mais força social e até mesmo política? O que nos define? O que, ao longo dos anos, tem construído nossa identidade? O que dizem os homens que somos?

Só uma declaração. Nada mais. Um só entendimento foi necessário para que Jesus lançasse os fundamentos de sua Igreja. Ele é o Filho de Deus. E nós somos o povo que se ajunta de todos cantos, de todas as camadas sociais, de várias histórias de vida, de toda raça, tribo, língua e nação, em torno do Filho de Deus, para ouvi-lo e sermos transformados por ele. Ele é o centro. E onde ele é o centro, aí é a Igreja.

What if?


Recently I’ve been thinking about the fragile relationship between us and God. It is fragile not only because of the natural difference between an omniscient, omnipotent and omnipresent, immaterial, sovereign and non-temporal God and the fragments of time called human beings, but also because of the psyche-emotional complexity, that our relational attempts reveal themselves to be.
Basically we establish our relationships based on our interests. Those interests are grouped in two categories: self preservation – what we do to maintain ourselves alive and stable, and happiness – those things we incorporate to our existence in order to feel a little more satisfied – as if it was possible!
This almost genetic selfishness, that essentially defines the patterns of our relationships, makes us vulnerable in our interactions with our neighbours and also with God.
Firstly, we seek God for a matter of self-preservation. Our first reaction of throwing ourselves into the arms of the divine is almost a reflex when facing our two greatest enemies – death and hell. When we face these terrifying monsters we are motivated to seek God, especially when we consider the scenery of a place surrounded by suffering and sorrow, with extreme temperatures and flaming landscape. That’s not pleasant at all.
Then we evolve into a deeper comprehension. We find out that God not only proposes freedom from hell, but also the possibility of heaven – a pain-free paradise, where there is no evil and is better define by the word “reward”.
So, at the end of the day, we basically serve God because of the fear of going to hell or in exchange for heaven. A few people understand that what is most infernal in hell is the absence of God and what is most heavenly about heaven is the fullness of his presence. Some might argue that God is everywhere so he is in hell too, but at least it seems that he is not noticed there, and that’s the reason for such desperation. Those who are able to conceive this truth build their relationship with God based on love. They are still trying to preserve themselves and be happy, but they realise that preservation and happiness are essentially related to the presence of God and knowing him personally.
However, we’ve got to be fair. There is a path to run. Our kids’ first answers to our orders are motivated by fear of discipline; afterwards they are motivated by the possibilities of getting gifts, and hopefully then, if a deep enough relationship was built, they obey because they are pleased to see their father satisfied. That’s how it works with us as well. Grace, freedom and love, seems to make more sense after the causality and restrictions brought by the law. The old covenant’s moral legislator God comes before the new covenant’s graceful Father. Not that the last one annuls the first one, on the contrary, the Father never ceases being God. But knowing him as God without knowing him as Father, may makes us obedient and morally responsible, but prevents us from the true transformation of his love.
That’s why I dare to ask: What if there is no heaven? What if there is no hell? What if there were neither threats nor reward proposals, would we still serve him? These answers will help us understand better at what point of the road we are.